Novos estudos em Amparo

[ATIVIDADE DE ESCLARECIMENTO]*

Arqueólogos da A Lasca estarão no município de Amparo (SP) para realizar estudos de campo. Nesse período, serão entregues folhetos explicativos para informar à população local sobre a necessidade de estudos arqueológicos para o licenciamento ambiental de empreendimentos.

Essas ações de esclarecimento integram a Avaliação de impacto ao patrimônio arqueológico na área de implantação do Loteamento Villa Suíça. Esse estudo foi autorizado pelo Iphan, órgão do Governo Federal responsável pela gestão do patrimônio arqueológico, por meio da Portaria n.º 21 de 06/04/2020.

Por que são necessários esses estudos?

Sítios arqueológicos são bens da União e são protegidos por legislação federal, Lei n. 3.924/61, sendo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan o órgão responsável pela proteção desses sítios. A legislação objetiva a proteção desses bens e exige estudos prévios como forma de garantir a redução dos impactos ao patrimônio arqueológico durante a implantação de empreendimentos.

Para que se possa ter sucesso na proteção dos bens culturais, sejam os arqueológicos ou quaisquer outros, é importante o entendimento de que todos nós somos responsáveis por cuidar desses bens para que as gerações futuras possam conhecê-los.

Esta ação busca estimular as percepções e envolver os moradores com seu patrimônio, desenvolvendo, ou ainda, exercitando noções de pertencimento, de identidade e alteridade. Estas atividades são uma forma de diálogo entre os pesquisadores e a comunidade, visando à valorização, ressignificação e proteção do patrimônio arqueológico e cultural da cidade.

Bens culturais

Bens culturais são elementos representativos da história e da cultura de um lugar e que são importantes para o grupo de pessoas que ali vivem. Amparo possui três bens tombados, isto é, protegidos por lei pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo – Condephaat: a Escola Estadual Rangel Pestana, o  Núcleo Histórico Urbano e o Sobrado na Praça da Bandeira.

Igreja Nossa Senhora do Rosário, localizada no Núcleo Histórico Urbano de Amparo:

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Fonte: Portal do Governo do Estado de São Paulo.

Para saber mais sobre os bens culturais de Amparo:

Portal do Governo do Estado de São Paulo

Sítios arqueológicos

No município de Amparo consta um sítio registrado no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos – CNSA, banco de dados mantido e atualizado pelo Iphan:

  • Sítio arqueológico Jaguari

Trata-se de um sítio arqueológico histórico, identificado durante os estudos para a implantação da Linha de Transmissão 500 Kv Araraquara II – Taubaté (ECOSSIS, 2017). Os materiais arqueológicos nele encontrados remontam à ocupação humana regional, provavelmente uma habitação rural do período entre os séculos XVIII e XIX. O Sítio arqueológico Jaguari foi localizado entre a média e baixa encosta da margem direita do Rio Jaguari, no extremo sul do município, próximo à divisa com Morungaba.

Entre os vestígios (materiais) arqueológicos encontrados, um destaque deve ser dado às duas pederneiras e à grande quantidade de fragmentos cerâmicos de fabricação local.

As pederneiras são confeccionadas em sílex, rocha silicosa de origem sedimentar. Essa rocha era utilizada pelos grupos humanos pré-históricos desde períodos bastante remotos ‘para confecção de pontas de lanças, flechas e instrumentos de corte devido à sua dureza e ao seu corte incisivo. Outro uso dado ao sílex era associado a suas propriedades pirofágicas, utilizado para acender o fogo, uma vez que o sílex é capaz de produzir faíscas quando percutido com rochas metálicas.’ 

Em contexto histórico, o sílex era usado para a fabricação de pederneiras. A pederneira constitui-se de pequeno fragmento de sílex com forma geralmente quadrangular e é feita a partir de técnicas de lascamento da rocha.

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Exemplo de pederneira em sílex. Fonte: Portal Montemor-o-Novo

As pederneiras eram peças antigas de artilharia, como pistolas, espingardas, mosquetes, bem como em isqueiros.

Outro destaque do sítio Jaguari são os fragmentos de cerâmica associados pelos pesquisadores à Cerâmica Neobrasileira, feita por grupos familiares com produção local. Eram feitas a partir de técnicas advindas da cultura indígena. Geralmente confeccionavam peças de caráter doméstico.

Nessa cerâmica é comum também a presença de apêndices, que podem ser derivados de influência europeia, ou de grupos afrodescendentes, o que demonstra seu valor multicultural e sua importância para o entendimento da história regional através de sua diversidade cultural.

A quem comunicar caso encontre vestígios arqueológicos na cidade:

Superintendência do Iphan no Estado de São Paulo
Telefones: (11) 3826-0744 / 3826-0905 / 3826-0913
Para saber mais:
Centro Nacional de Arqueologia – Licenciamento Ambiental – Educação Patrimonial

 ESTE TEXTO FAZ PARTE DO CONJUNTO DE PRODUTOS DESENVOLVIDOS PELA A LASCA ARQUEOLOGIA PARA ESCLARECIMENTO À COMUNIDADE LOCAL, EM ATENDIMENTO À INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 1/2015 E PORTARIA N. 137/2016 DO IPHAN.

 

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